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Minas Gerais, o que sai do chão nos atinge



O sonho de todo exportador é oferecer ao mercado algo que todo mundo deseje comprar. E, se possível, em um ambiente de demanda superior à sua capacidade de produção. Pois foi isso que aconteceu, em 2010, com o minério de ferro, o principal produto de exportação de Minas Gerais. Tudo o que conseguimos produzir foi vendido, produzindo uma receita de US$ 13 bilhões. Desempenho semelhante foi apresentado pelo café, com US$ 4,1 bilhões, pela liga de ferronióbio e até pelo açúcar, um produto até então ausente de nossa pauta. Graças ao expressivo desempenho de quase duas mil empresas, Minas fechou o ano com exportações de US$ 31,22 bilhões, valor que representa um salto de 60% sobre 2009.


Não se trata de um crescimento isolado. Desde 2003, quando exportamos US$ 7 bilhões, as vendas mineiras para o exterior evoluem em ritmo ecelerado. Crescemos quase cinco vezes em um período inferior a uma década. Por conta dessa expansão, a participação de Minas no bolo nacional, que era de 10,4% em 2003, passou para 15,5% em 2010. Minas consolidou-se como segundo maior exportador brasileiro, tendo à frente apenas São Paulo, com US$ 52,3 bilhões. Em 2010, as vendas totais do Brasil para o mercado externo alcançaram US$ 200 bilhões.


SALVAÇÃO, NÃO ATRASO. Chama a atenção o minério de ferro no período. Em 2000, o produto era oferecido a 19 dólares por tonelada e os compradores ainda regateavam o preço. Em 2010, foi cotado a mais de 130 dólares no porto, com frete por conta do comprador, Quem observa a pautade exportações do estado, logo constata que ela continua a ser fortemente dependente de commodities minerais, agrícolas e industriais. Isso sempre foi considerado uma demonstração de atraso econômico. Hoje, para alguns economistas renomados, como o ex-ministro Paulo Haddad, pode ser a salvação da lavoura.


O comércio de produtos industrializados é amplamente dominado pelos chineses, que lideram a venda de brinquedos, têxteis, eletrônicos e máquinas. Ninguém consegue competir com seus preços praticamente irrisórios. Logo, a sorte do Brasil talvez seja a de dispor das commodities de que aquele país necessita, como minério e soja. Nos últimos anos, a produção nacional foi amplamente direcionada para os principais produtos demandados pelo parceiro oriental. Mas, observa-se uma tendência de concentração, quando se compara a pauta de hoje com a de dez anos atrás. Atualmente, 90% das importações chinesas resumem-se ao minério de ferro. O restante é formado, principalmente, por soja, celulose, açúcar e carne de frango.


Graças às compras sem limites desses itens, o Brasil conseguiu quitar seus débitos com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e outros credores espalhados pelo mundo. E, ainda, amealhar reservas cambiais de cerca de US$ 300 bilhões. Esses números nos colocam em situação confortável no ambiente das turbulências econômicas internacionais. "Nenhum outro país se beneficiou tanto do crescimento chinês como o Brasil", ressalta o presidente da Câmara do Comércio Brasil-China, Charles Tang: "No nosso comércio, o superávit brasileiro, em 2010, foi superior a US$ 5 bilhões".


O fator China, individualmente, explica muito do boom das exportações mineiras. Em 2010, nossas vendas para aquele país alcançaram US$ 9,3 bilhões, o equivalente a mais de 25% do valor amealhado pelo estado no mercado internacional. Isso confirma a China como o principal importador de produtos mineiros, à frente dos Estados Unidos que, por mais de 50 anos, apareceu em primeiro lugar na lista dos nossos maiores compradores.


MERCADO SOFISTICADO. Minas continua a exportar commodities. Mas não se deve perder de vista que, hoje, o mercado de produtos primários se mostra bem mais sofisticados que no passado. A produção do minério, por exemplo, emprega caminhões, capazes de transportar até 400 toneladas de carga, e máquinas avançadas para a concentração do produto. Café, soja e outros itens da agroindústria tem seu desempenho atrelado a tecnologias desenvolvidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuário (Embrapa). A potencialida do Ja;iba para produzir frutas os 12 meses por ano resulta de investimentos maciços realizados pelo estado nos projetos de irrigação. Em resumo, as commodities, agora, andam lado a lado com a modernidade econômica 


 



Fonte: Fato Relevante - Fevereiro 2011
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