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Alta nas importações ameaça indústria



 A indústria de fundição, que molda peças de alumínio, ferro e aço, enfrenta uma das maiores crises de sua história, apesar do crescimento econômico do país. Criada no Brasil ainda durante o Império, o segmento brasileiro, sétimo em produção no mundo, tem perdido a corrida para os produtos acabados importados, graças à queda do dólar. Além de perder participação externa, o crescimento do mercado interno tem sido abastecido com importações.

Algumas indústrias agonizam. A crise de 2008 quase levou a Cooperativa de Produção de Peças Fundidas em Alumínio (Cofaz), de São Paulo, à falência. Uma das 1.354 fundições nacionais que sobrevivem, a empresa ainda tenta ficar de pé. De 100 funcionários, tem hoje 25. De R$ 5 milhões de faturamento mensal, hoje alcança só R$ 2,5 milhões. A produção de 550 toneladas de peças por mês, é coisa do passado. Com esforço alcança metade.

"Estamos tentando nos recuperar, mas o custo de produção para uma indústria de fundição está ficando inviável", disse Edmundo de Faria Júnior, gerente da empresa. Com custo de R$ 5,6 mil a tonelada da liga de alumínio, R$ 1,4 mil a mais do que a cotação do alumínio primário na bolsa de metais em Londres, a Cofaz está penando para sobreviver.

Com a valorização do real, ficou fácil importar produto pronto. Dentro de carros, máquinas e tantos outros bens de consumo há peças fundidas. O difícil é saber o tamanho da invasão. "Esse é um dos grandes problemas do setor. O mercado interno está sendo invadido por produtos importados e nem temos como saber a dimensão dessa invasão", afirma Devanir Brichesi, presidente da Associação Brasileira de Fundição (Abifa).

Do setor automotivo surgiu o alerta para a crise da indústria. A expansão das fundições tem ficado mais distante do avanço nas vendas de automóveis. "A conclusão óbvia é a de que o crescimento desse importante setor está sendo sustentado pelas importações", disse Wilson de Francisco Júnior, sócio da Lepe, empresa que nasceu em 1949.

A novidade, afirmou, é que o Brasil começa a perder mercado não só para os asiáticos, mas, agora, para os europeus. Há dois anos, a Lepe não consegue vencer uma concorrência internacional.

Os custos de produção no Brasil - elevados por tributos e encargos trabalhistas - estão superando os praticados em países europeus. "Nosso problema não é tecnológico. Nosso problema é econômico e não só com a China, mas também com a Europa", disse o diretor da Lepe.

As estatísticas mostram o resultado. Em 2006, o setor exportava 710,9 mil toneladas de produtos fundidos. No ano passado, exportou 431 mil toneladas. Já as importações de produtos definidos como de médio-baixo conteúdo tecnológico -como os fundidos - foram iguais aos embarques em 2010. Dados da Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica (Protec)) revelam que em 2006, as importações de produtos classificados como de média-baixa tecnologia somavam US$ 3,015 bilhões, enquanto as exportações atingiam mais que o dobro: US$ 6,251 bilhões.

A relação se alterou. Em 2010, o Brasil exportou US$ 8,856 bilhões em itens de baixa-média tecnologia. A importação no período foi de US$ 8,588 bilhões. Segundo Roberto Nicolsky, diretor-geral da Protec, o país tem perdido a capacidade de exportar produtos com maior valor agregado. Ele diz que isso indica perda da qualidade da pauta de exportações.


Fonte: Diário do Comércio 18/04/2011
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