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Restrições da UE afetam Minas



A decisão da União Europeia (UE) de suspender benefícios tarifários para as vendas externas brasileiras representa mais um revés para os setores exportadores da indústria mineira, já combalidos em função da sobrevalorização do real frente ao dólar. A medida afetará diretamente segmentos importantes como a indústria de bens de capital, têxtil e química.

As restrições já foram acatadas por Bruxelas e serão anunciadas em maio. A UE vai suspender as preferências tarifárias que concede para mais de 12% das exportações brasileiras, sob a alegação de que o Brasil não precisa mais de ajuda. Tóquio e Washington também já indicaram que farão o mesmo.

Para o diretor regional da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Marcelo Luiz Veneroso, se realmente for concretizada, a retirada dos benefícios será muito prejudicial para o setor de bens de capital, que vem amargando perdas em função da desvalorização do dólar frente o real. "Já perdemos nossa competitividade em relação aos concorrentes externos e essa medida enterra de vez o setor", afirmou.

Segundo Veneroso, o problema não está na concessão ou não de benefícios fiscais por outros países, mas de o governo não ter ainda adotado medidas eficazes para favorecer a indústria nacional, restringindo, por exemplo, a entrada de produtos estrangeiros.

" aquele velho jargão que nós não cansamos de repetir. O Brasil continua crescendo em função da exportação de commodities e matérias-primas. Mas não estamos agregando valor à nossa produção. Pelo contrário, o país está cada vez mais perdendo espaço para indústria chinesa", ressaltou.

No setor têxtil a situação é semelhante. Mas o presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem no Estado de Minas Gerais (Sift-MG), Adelmo Percope Gonçalves, não acredita que a restrição pela UE será acatada de fato.

"Acredito que é mais uma especulação por parte da União Europeia e o governo vai agir para reverter isso. Caso contrário, será mais um desastre para o setor, que reduziu drasticamente as exportações devido à concorrência chinesa", afirmou.

Além disso, a indústria têxtil sofre com a alta acumulada do algodão, que nos últimos sete meses subiu 200%. Isso prejudica não somente a competitividade do setor no mercado interno, como pode provocar retração nas indústrias do segmento no Estado. "Portanto, já temos muito com o que preocupar, não precisamos de mais uma medida", ressaltou.


Incentivo - Estabelecido há décadas, o Sistema Geral de Preferências da UE foi criado justamente como forma de incentivar as exportações de países em desenvolvimento. Em 2010, 3,1 bilhões de euros das exportações nacionais contaram com a ajuda da redução tarifária, permitindo que alguns produtos manufaturados ainda tivessem certa competitividade no mercado europeu, como têxteis, químicos, máquinas e autopeças.

Para Bruxelas, a situação mudou, e há uma nova realidade internacional. As medidas deverão ser anunciadas no mês que vem, mas entrarão em vigor apenas em 2012.

Além disso, o governo japonês também indicou que suspenderá privilégios ao Brasil. Nos Estados Unidos, o Congresso já revê os benefícios que concede às exportações brasileiras e indica que não pode continuar tratando Brasil e Malawi da mesma forma.



Fonte: Diário do Comércio 21/04/2011
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