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Puxadinho em Confins



Há um bem articulado lobby dentro do governo federal para esfriar a disposição da presidente Dilma Rousseff de passar aos capitais e à agilidade da iniciativa privada as obras de expansão e modernização dos aeroportos, entre eles o de Confins. A proximidade da Copa do Mundo de 2014 e a comprovada incapacidade da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) de tocar obras na velocidade necessária por preço aceitável tinham convencido a presidente, bem como seus assessores mais próximos, de que o governo não poderia correr o risco de deixar o país passar por vexame internacional durante o megaevento esportivo. Mas, nos últimos dias, correndo contra o impacto do leilão de concessão à iniciativa privada do novo aeroporto de Natal (RN), agendado para hoje, a própria Infraero, com o apoio de outros setores do governo, reagiu. Preparou um estudo para tentar barrar seu esvaziamento como dona dos aeroportos, em que é proposto o adiamento das concessões à exceção apenas do novo terminal de Guarulhos (SP).

O que os milhares de passageiros que enfrentam diariamente o desconforto e o acanhamento do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, podem levar em conta é que a chance de essa reação vingar é real. No documento, que só não foi ainda apresentado à presidente da República por causa do repouso imposto a ela por uma pneumonia, os técnicos da Infraero argumentam que não há tempo para a formatação de um modelo ideal de concessões. Além disso, alguns aeroportos, como o de Brasília e o de Confins têm, atualmente, baixo faturamento comercial, o que os tornaria pouco atraentes à iniciativa privada. Confins, segundo o estudo da Infraero, fartura cerca R$ 35 milhões por ano e tem baixo movimento de cargas. Na avaliação da estatal, melhor seria deixar as coisas como estão, ficando ela própria autorizada a providenciar um terminal provisório para a Copa do Mundo, enquanto toca seu conturbado projeto de expansão, que já sofreu severa restrição do Tribunal de Contas da União, por preço acima do mercado, e esteve preso na Justiça, por ação do Ministério Público.

Qualquer um de mediano conhecimento de negócios sabe do potencial de Confins e não deve desconhecer o anel de indústrias de tecnologia agregada e de baixo peso das mercadorias que se implanta nas imediações do terminal do aeroporto. Por sua posição central no mapa do subcontinente e pelas projeções de crescimento da economia brasileira e, em especial, da Região Metropolitana de BH, Confins tem futuro que somente não vai se realizar por falta de visão ou por má-vontade, movidas por interesses corporativos pequenos. Se não for por isso, será por falta de reação e de interesse das lideranças políticas e empresariais mineiras. Não importa a cor partidária, é urgente fazer ver à presidente que tais argumentos não se justificam, sob pena de termos em Confins o mesmo pouco caso que há décadas arruína as rodovias federais em Minas. Os contribuintes e eleitores mineiros merecem mais do que um puxadinho em seu principal aeroporto.


Fonte: Estado de Minas 09/05/2011
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