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Confins fora do jogo



Especialistas e consultores da aviação criticaram a decisão do governo federal de deixar o aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, fora do primeiro lote de concessão à iniciativa privada. Eles acreditam que há urgência para as obras do pátio e dos terminais 1 e 2 do aeroporto mineiro. E colocam em dúvida a capacidade da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) de arcar com os desembolsos até a Copa de 2014. Atualmente, só a licitação da reforma do Terminal 1 está em andamento, com abertura dos envelopes prevista para o dia 17.

O ministro da Secretaria de Aviação Civil, Wagner Bittencourt, afirmou ontem que deverá ficar pronto em até 30 dias o estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para analisar a viabilidade da concessão comercial dos aeroportos de Guarulhos (SP), Viracopos (Campinas) e Brasília. Caso a concessão à iniciativa privada seja viável, apenas a área comercial vai entrar em licitação, enquanto a operação aeroportuária continuará nas mãos da estatal Infraero.

No fim de abril, o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, havia sinalizado que haveria estudos para os investimentos privados também nos projetos de reforma e expansão dos aeroportos de Confins e do Galeão, no Rio de Janeiro. Mas Bittencourt ressaltou que atualmente estão sendo priorizados Guarulhos, Campinas e Brasília. “São esses que estão sendo estudados agora, existe uma certa prioridade, não excludente. O que nós estamos tratando são esses três. Vários outros não entraram (no estudo).”

A exclusão de Confins da rota de concessão prejudica o futuro do aeroporto, na avaliação de Hugo Ferreira Braga Tadeu, professor da Fundação Dom Cabral, com pós-doutorado em transportes aeroportuários no Canadá. “Se a gente olhar o que foi investido pela Infraero nos aeroportos nos últimos anos, é muito pouco. Acho difícil que o governo tenha recursos para obras mais pesadas de infraestrutura aeroportuária”, afirma Tadeu.
Segundo ele, os três aeroportos escolhidos para concessão (Guarulhos, Campinas e Brasília) são considerados hubs da aviação brasileira. “A decisão do governo mostra mais uma vez que a expansão do aeroporto de Confins é um sonho. Vamos acabar com vários puxadinhos para atender à demanda da Copa do Mundo”, ressalta o professor.

A construção de terminal provisório em Confins também não é vista com bons olhos pelo governo e especialistas. “A solução de oferecer um terminal definitivo no aeroporto é mais ajustável à realidade do tráfego que o terminal provisório”, diz Luiz Antonio Athayde, subsecretário de Investimentos Estratégicos da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico.

O consultor de aviação Renato Cláudio Costa Pereira ressalta que o terminal provisório em Confins está longe de ser uma solução. “Tudo que faz provisório acaba ficando eternamente e vai se degradando. Seria importante construir o Terminal 2 em ritmo de urgência e não fazer remendos”, diz Pereira, que já foi presidente da Comissão Latino-Americana de Aviação Civil e diretor do antigo Departamento de Aviação Civil (DAC).

Pereira afirma que não é só as Olimpíadas e a Copa do Mundo que pressionam as obras nos aeroportos, mas a própria demanda do tráfego aéreo. “Houve um crescimento grande da demanda não só do transporte de passageiros como de cargas. É preciso saber quanto de recurso que o governo ou as empresas privadas têm para aplicar em aeroportos. As obras já estão atrasadas e devem ser tocadas com urgência, sem horário para almoço ou lanche”, diz.

A Trip Linhas Aéreas instalou-se em Confins desde junho de 2009. Para atender aos passageiros, opera hoje com um “puxadinho” na lateral do Terminal 1. “As obras em Confins são importantes não só nos terminais de passageiros, como nas pistas. Em alguns momentos não há como pousar as aeronaves nas pistas, que estão cheias”, afirma Evaristo Mascarenhas de Paula, diretor de marketing e vendas da Trip. (Com agências).

A NOVELA DA CONCESSÃO
>> Em 27 de abril, o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, afirma que o governo já se decidiu sobre a concessão das obras de ampliação dos aeroportos de Guarulhos (SP), Viracopos (Campinas), e Brasília. O ministro sinaliza para investimentos privados também nos projetos de reforma e expansão dos aeroportos de Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e do Galeão, no Rio de Janeiro.

>> O anúncio do ministro colocou em dúvida o futuro do aeroporto de Confins, que estava com o processo de licitação das obras paralisado na Justiça, em função de problemas ambientais. Quem tocaria a licitação das obras, a Infraero ou a iniciativa privada?

>> A Secretaria Nacional de Aviação informa que o futuro das obras de Confins ficaria nas mãos dos novos concessionários.

>> No dia 5, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região autorizou a Infraero a prosseguir com os procedimentos licitatórios das obras.

>> Ontem o ministro da Secretaria de Aviação Civil, Wagner Bittencourt, afirmou que vai priorizar a concessão dos aeroportos de Guarulhos (SP), Viracopos (Campinas) e Brasília. Confins ficou de fora dos planos de concessão do governo.




Fonte: Estado de Minas 10/05/2011
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