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China anuncia investimentos e Brasil reclama de barreiras



O anúncio de novos investimentos milionários de empresas chinesas no Brasil fez parte dos comunicados do ministro de Comércio da China, Chen Deming, em visita ao país. Ele informou às autoridades brasileiras que a empresa de maquinário pesado Sany decidiu investir US$ 200 milhões para fabricar no Brasil equipamentos voltados ao mercado de exploração de petróleo; e a Chery pode investir até US$ 400 milhões para fabricar carros em território brasileiro. O ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, previu investimentos de US$ 8 bilhões dos chineses no Brasil neste ano. No comércio, contudo, o quadro é menos favorável.

 


Pimentel revelou que espera aumentar as vendas do Brasil à China em 20%, o menor índice de crescimento nas exportações brasileiras àquele país nos últimos anos, inferior até a 2009, quando as exportações cresceram 23%. No ano passado, o aumento foi de 46%. Na conversa entre Pimentel, Deming e o ministro de Relações Exteriores, Antônio Patriota, os brasileiros se queixaram de que, apesar do anúncio, em abril, da liberação de três frigoríficos para venda de carne de suínos à China, nenhum teve embarque autorizado até agora.


Os ministros comentaram que são muitas as queixas contra importações chinesas e que um anúncio como o de mais compras de aviões da Embraer, seria uma boa demonstração do interesse chinês em aumentar o valor agregado das vendas brasileiras ao país. Deming fez questão de repetir em público, para jornalistas e para empresários, que o governo chinês entende e quer atender às preocupações brasileiras com excesso de dependência das exportações de produtos básicos, como ferro e soja à China.


Na reunião com os ministros, Deming apresentou uma extensa lista de propostas de investimento chineses para o Brasil, para linhas de transmissão da futura hidrelétrica de Belo Monte, para oleodutos e projetos de exploração e prospecção do petróleo do pré-sal. A Sany, que deve instalar fábrica em Minas Gerais, forneceu equipamentos para salvar operários presos em minas de cobre do Chile e para o desastre na usina nuclear de Fukushima, no Japão. Deming pediu insistentemente apoio do governo brasileiro para venda direta de commodities como soja sem intermédio de trading companies, hoje responsáveis pelo negócio.


Os ministros brasileiros e chinês decidiram criar um grupo técnico só para discutir e resolver mensalmente os conflitos na área comercial e de investimentos. "Qualquer dificuldade que encontrarem, nos informem, estaremos à disposição", disse Deming, para empresários chineses e brasileiros reunidos na Confederação Nacional d a Indústria (CNI), em seminário sobre oportunidades de negócio no Brasil.


Deming informou que há interesse chinês na proposta apresentada pelo ministro Patriota, de desenvolvimento conjunto de tecnologias "verdes" (com menor emissão de carbono e poluentes) para automóveis. Patriota lembrou da necessidade de incrementar o turismo, com a proximidade da Copa do Mundo e das Olimpíadas no Brasil, e informou que há grande interesse da TAM em criar linhas diretas para a China. O ministro chinês não comentou o assunto.


Deming garantiu que, segundo o último plano quinquenal chinês, o país e seus empresários pretendem se voltar cada vez mais para o mercado interno, aumentando o esforço de importações, o que tornará a China o primeiro mercado para produtos de luxo em pouco tempo (já é o segundo). "Nossa prioridade está em importação e investimentos no exterior", garantiu. Com o cenário de baixo crescimento nos Estados Unidos e Europa por um longo prazo, o Brasil surge como um dos destinos mais atrativos para estes investimentos, afirmou. Só os investimentos anunciados durante a visita da presidente Dilma Roussef à China somam cerca de US$ 1 bilhão, calculou.


Deming insistiu, porém, que a melhoria de qualidade da pauta de exportações brasileiras e a atração de investidores exigirá medidas adicionais do governo e do setor privado para diversificar a produção exportável e criar "ambiente mais favorável ao investimento". Os empresários chineses têm se queixado da excessiva valorização do real, relatou o ministro chinês. Mas, segundo o ministro, os chineses estão dispostos a manter o superávit comercial em favor do Brasil e não pretendem adotar medidas para reduzi-lo.


Os interesses chineses estão, principalmente, na área de infraestrutura e agricultura, mas também vêm se estendendo por outras área industriais. O ministro fez um convite, aceito por Pimentel, para participação do Brasil na próxima feira de Guagzhou (antigo Cantão), uma das maiores da Ásia, que terá um pavilhão dedicado à América Latina. O Brasil terá seu próprio pavilhão, afirmou Pimentel.



Fonte: Valor Econômico 17/05/2011
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