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Crédito à exportação bate recorde



Os exportadores tomaram um volume recorde de crédito à exportação de prazo de vencimento em até um ano em abril e não foi exatamente por causa do aumento das exportações verificado no mesmo mês. O financiamento à exportação é isento do Imposto sobre Operações Financeiras de 6% ao ano que passou a incidir no crédito externo desde abril e muitas empresas trocaram o capital de giro por essas linhas.


Bancos atuantes no mercado perceberam que muitas das grandes companhias compraram dólar no mercado futuro contra o real com o prazo casado com as linhas tomadas no exterior de forma a ganhar com o diferencial de juros, na chamada transação de arbitragem. O resultado para as empresas foi uma captação ao custo de 80% a 90% dos juros dos Depósitos Interfinanceiros (DI).


Em abril, segundo os dados do Banco Central, o total de contratos de Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC), financiamento pré-embarque, e de Adiantamento sobre Cambiais Entregues (ACE), pós-embarque, chegou a US$ 5,309 bilhões. Nunca nos dados apurados até agora pelo BC desde 1996 houve um volume tão relevante desse tipo de crédito. Foi um aumento de 24% no total em relação a março e de 58% em relação a fevereiro. Quando se olha a média por dia útil, o aumento em relação a março foi de 43,7% em abril.


Esses ganhos de arbitragem se ampliaram em março, mas principalmente no final de abril, com o aumento nos juros em dólar no mercado interno, o chamado cupom cambial. Foi em abril que o cupom cambial de curtíssimo prazo, de até 30 dias, chegou a 12% ao ano, acima da própria taxa básica de juros Selic. Na prática, isso significa que o dólar futuro ficou com cotação mais baixa do que o dólar à vista em alguns dias.


Isso aconteceu por causa das compras de dólar do BC, que se concentram no mercado à vista de câmbio e em volumes totais foram US$ 4,3 bilhões acima do fluxo em abril. Essas compras acima do fluxo tornaram o dólar à vista caro demais. O BC comprou US$ 4,905 bilhões à vista mais US$ 440 milhões a termo, em um total de US$ 5,845 bilhões em abril. Nesse mês, entrou US$ 1,541 bilhão líquido no mercado de câmbio no Brasil.


As grandes exportadoras tomavam linha externas de exportação de um ano pagando 2% ao ano, ou até menos, e investiam no cupom cambial de 5,2% comprando dólar futuro sem entrega (no derivativo chamado em inglês de Non Deliverable Forward ou NDF). O ganho era de 3% ao ano ou ainda mais do que isso.


Segundo José Augusto Durand, gerente da mesa de clientes do Itaú BBA, muitos exportadores tomam ACCs e usam suas exportações como "hedge" (proteção) natural para essas dívidas em dólar. Outras fazem o hedge por meio de NDFs. "Em abril, por causa do cupom cambial mais elevado, nós percebemos um aumento de 50% no volume de demanda dos ACCs dos exportadores", afirmou Durand.


Os exportadores também usaram uma transação conhecida como trava para fazer a mesma arbitragem. A diferença da trava com o ACC é que nesse último o exportador recebe os reais hoje enquanto na trava ele recebe os reais no futuro. Ele vende seu dólar por meio de uma transação a termo com entrega física futura, casada com um NDF de compra de dólar de mesmo prazo.


Os bancos também aproveitaram o cupom cambial polpudo mesmo para prazos mais longos e tomaram no final de abril e início de maio mais de US$ 3,117 bilhões em dívida externa de prazo superior a dois anos. O Banco Votorantim, o Bradesco, o Banco Safra, o Santander Brasil, o HSBC e o Fibra fizeram captações.


Para Eric Altafim, responsável pelas vendas de derivativos do Itaú BBA, a preocupação do BC com a exposição cambial das empresas não se justifica, pois, via de regra, só quem tem receitas em dólar não faz hedge de sua dívida em dólar. "A arbitragem é também uma transação de hedge da dívida em dólar", explica. Como há venda de dólar no mercado à vista (no caso do ACC) ou no mercado a termo (no caso da trava) e compra no futuro, o impacto no câmbio é nulo.


José Augusto de Castro, presidente em exercício da Associação de Comércio Exterior do Brasil, diz que não tem como acompanharmos de perto o aumento de tomada de ACC. Segundo ele, no entanto, no mês de abril começa a safra de soja e milho e muitas exportadoras vão atrás de ACC e ACE. Em abril, as exportações foram a R$ 20 bilhões, um aumento de 4,6% com relação a março. "Mas tem muita empresa que toma ACC e investe no mercado interno sim, as grandes principalmente, porque é bastante vantajoso fazer isso", afirma José Augusto de Castro.



Fonte: Valor Econômico 19/05/2011
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