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Importação de celular explode e traz novas marcas ao país



A importação de celulares pelo Brasil disparou nos primeiros meses do ano. Entre janeiro e abril, a compra de telefones móveis produzidos em outros países somou US$ 232 milhões, um salto de 148% na comparação com o mesmo intervalo do ano passado. Outro indicador - o volume de unidades - mostra esse movimento de maneira ainda mais clara: os aparelhos trazidos de outros países passaram de 853 mil para 2,9 milhões de unidades (aumento de 240%), segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Em valores, isso significa que as compras de quatro meses representam mais da metade das importações de telefones móveis feitas em todo o ano passado (US$ 445 milhões).


O dólar barato e a demanda crescente por celulares estão entre as principais razões desse movimento. Como tem ocorrido em outros setores de atividade, a cotação da moeda americana na casa de R$ 1,60 torna mais competitivos os produtos vindos de fora. E isso acontece em um momento no qual fornecedores, operadoras de telefonia e varejistas tentam impulsionar as vendas dos smartphones, os celulares com recursos mais sofisticados, dotados de sistema operacional e que permitem fácil acesso à internet. Em 2010, foram vendidos cinco milhões de smartphones no Brasil. Para este ano, a estimativa é de 10 milhões.


Aparelhos caros - restritos a uma parcela reduzida de consumidores - respondem por parte das importações. É o caso do iPhone, da Apple; do Desire A, da taiwanesa HTC; e de alguns modelos do BlackBerry, da Research In Motion (RIM), e da Nokia.


O grosso das importações, porém, destoa desse perfil, marcado por aparelhos exclusivos e marcas glamourosas. O mercado está sendo inundado por celulares mais baratos, trazidos ao país por fabricantes pouco conhecidos dos consumidores. Uma consulta nos principais varejistas mostra que marcas como ZTE, Huawei, Alcatel, Meu Celulares, Freecel e até a fabricante de GPS NavCity vêm ganhando espaço nas prateleiras.


O reflexo direto dessa ofensiva é uma mudança no quadro de competição do mercado brasileiro. De acordo com a consultoria GfK, as cinco principais marcas de celulares presentes no Brasil perderam 5,6 pontos percentuais de participação de mercado em 12 meses, até março, passando de 98% para 92,4% das vendas totais no país. No mesmo período, o número de marcas de celulares passou de 14 para 20.


Outra consequência é a redução do preço dos telefones móveis trazidos do exterior: o valor médio unitário diminuiu de US$ 109, entre janeiro e abril do ano passado, para US$ 77 em igual período de 2011.


Trazidos pelos fabricantes e vendidos diretamente no varejo, sem o intermédio das operadoras, os aparelhos têm um recurso que atrai cada vez mais a atenção dos consumidores: a possibilidade de funcionar com mais de um chip. Os brasileiros - em sua maioria adeptos dos planos pré-pagos - criaram o hábito de ter um chip de cada operadora, para aproveitar as promoções de todas elas.


O preço é outro fator importante. Por exemplo, um aparelho com câmera digital, capacidade para dois chips e teclado físico da Alcatel pode ser encontrado por R$ 199. Um modelo semelhante da LG, fabricado no Brasil, custa em torno de R$ 499.


Segundo um executivo de uma empresa que produz celulares no exterior, as companhias com fábricas no país subestimaram a demanda interna, o que está abrindo espaço para novas marcas, que trazem aparelhos principalmente da China. "Os varejistas estão procurando novos fornecedores", afirma esse executivo.


Por enquanto, o aumento nas importações não parece afetar a produção de celulares no Brasil. No ano passado, foram produzidos 61 milhões de telefones móveis no país, segundo a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). Neste ano, o volume de unidades fabricadas no país cresceu entre 24% e 35% ao mês no primeiro trimestre, de acordo com o MDIC.


Na Nokia, o ritmo das importações é constante, sem apresentar saltos relevantes, diz Luiz Carneiro, diretor de relações governamentais da companhia. A Nokia importa modelos como o C7, o E7 e o X5, mas outros aparelhos avançados, como o smartphone N8, são fabricados no Brasil. "A importação é uma atividade complementar. Ela não altera em nada nossos planos de fabricação local", diz o executivo.


A Abinee, no entanto, se mostra preocupada com o avanço das importações. "Estamos sendo comidos pelas beiradas", diz Luiz Cezar Rochel, gerente do departamento de economia da associação.


Para Ivair Rodrigues, da consultoria IT Data, a questão é preocupante e tende a se agravar diante da crescente demanda por smartphones. Se as importações desses aparelhos - que são mais caros - deslancharem nos próximos anos, o desequilíbrio na balança comercial ficará mais profundo. "Com o dólar como está, começa a ficar mais interessante importar que produzir aqui", diz Rodrigues.


Procuradas, Samsung, Motorola, LG e Sony Ericsson informaram, por meio de suas assessorias de imprensa, que fabricam 100% dos aparelhos vendidos no Brasil. A Huawei informou não ter encontrado um porta-voz até o fechamento desta edição.


Por e-mail, a ZTE afirmou que a companhia desponta como 4º ou 5º maior vendedor de aparelhos no Brasil. "O relacionamento com o varejo vem se desenvolvendo a cada dia, com constante crescimento nas vendas, apesar de ser uma marca não tão conhecida no mercado", informou a companhia. A ZTE afirma ter contratos com companhias de manufatura sob demanda para a fabricação de cinco modelos de celulares no Brasil.




Fonte: Valor Econômico 20/05/2011
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