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Importação desacelera a indústria brasileira




 














WILSON DIAS/ABR
Com baixo poder de competição internacional, a indústria têxtil amarga expressivos recuos
Com baixo poder de competição internacional, a indústria têxtil amarga expressivos recuos

Principal responsável por puxar para baixo o desempenho da indústria nacional em 2011, o setor têxtil enfrenta os mesmos desafios de outros segmentos que desaceleram o ritmo de produção no último exercício. Em xeque está a competitividade das empresas brasileiras que lidam com um cenário de substituição dos produtos nacionais pelos importados.

A forte concorrência externa, impulsionada pela supervalorização do real, é apontada como principal explicação para o tímido crescimento de 0,3% do setor industrial no ano passado, de acordo com pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na comparação com 2010.

Somente o setor têxtil amargou um recuo de 14,9% em igual base comparativa. A entrada de produtos finais de outros países no mercado nacional aumentou quase 60% em 2011, o que abalou a cadeia produtiva como um todo.

Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias Têxteis e de Malhas do Estado de Minas Gerais (Sindimalhas-MG), Flávio Roscoe, a concorrência, vinda sobretudo da China, é cumulativa, o que explica 2011 ter sido o pior ano da história para o setor. O balanço negativo do segmento superou, inclusive, os números de 2009, quando a economia brasileira sofreu retração de 0,2%, impactada pela crise financeira internacional, iniciada em 2008.















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Impactada pela concorrência externa e o real valorizado, a produção têxtil nacional caiu 14,9% em 2011
Impactada pela concorrência externa e o real valorizado, a produção têxtil nacional caiu 14,9% em 2011

Demissões - O encolhimento da produção reduziu os empregos. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), entre 15 mil e 20 mil postos de trabalho foram fechados no exercício anterior. Em Minas Gerais, 2 mil pessoas foram demitidas, diz Roscoe.

Para que a situação não se agrave ainda mais neste ano, o setor espera uma posição do governo federal em relação a antigas reivindicações. Entre elas, maior proteção contra dumping chinês e maior fiscalização nos portos.

Outro segmento cuja produção também caiu em 2011, a indústria elétrica e eletrônica atribui o mau resultado, além da questão dos importados, aos gargalos infraestruturais do país. "A situação dos nossos aeroportos, portos e estradas é vergonhosa e tudo isso onera o custo do transporte", afirma o diretor regional da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Ailton Ricaldoni. "O empresário brasileiro é muito competitivo da porta da fábrica para dentro, mas da porta para fora perde qualquer vantagem por ter que assumir o custo Brasil", enfatiza.

O peso desses entraves custou ao setor um arrefecimento de 6,4% na produção de 2011 ante o ano anterior, embora o faturamento tenha registrado uma expansão de 6%, chegando a US$ 134 bilhões. Em Minas Gerais, a receita também cresceu e alcançou US$ 8 bilhões. Já a produção seguiu a tendência nacional e recuou em igual ritmo contabilizado no Brasil.

O fato de o faturamento ter ido na contramão da produção é conseqüência das vendas de artigos importados que, embora tirem força da indústria, incrementam o caixa do setor. Conforme o balanço da Abinee, no exercício anterior, as importações passaram dos US$ 25 bilhões para US$ 30 bilhões. Já as exportações tiveram um crescimento tímido saindo dos US$ 5,6 bilhões de 2010, para US$ 5,8 bilhões.

Ricaldoni diz que historicamente Minas Gerais replica o movimento observado em território nacional, inclusive em relação à geração de empregos. Em 2011, a criação de vagas ficou estagnada tanto em nível nacional quanto estadual. No momento, Minas mantém 14 mil postos de trabalho na indústria elétrica e eletrônica.

Para intensificar a produção e, conseqüentemente, a geração de empregos, a Abinee também cobra uma postura mais decisiva do governo federal. Ricaldoni diz que medidas como o plano "Brasil Maior" que, entre outras ações, desonera a folha de pagamento de alguns setores, são apenas paliativas. "Nossa situação exige uma tomada de decisão mais rigorosa", afirma.






Fonte: DIÁRIO DO COMÉRCIO. RAQUEL GONDIM.
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