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Dólar a R$ 2 anima indústrias e exportadores, mas preocupa consumidores e importadores



Dólar a R$ 2 anima indústrias e exportadores, mas preocupa consumidores e importadores


 


A valorização do dólar nas últimas semanas expõe o perde e ganha da economia com a alta da moeda dos Estados Unidos, uma equação que vai levar algum tempo ainda para chegar ao ponto de equilíbrio entre os interesses da indústria sacrificada pela perda de exportações e o avanço dos importados no mercado nacional e a saudável competição no varejo, favorável ao consumidor. As importações mais caras beneficiam uma série de fabricantes nacionais, de alimentos a máquinas e equipamentos, dá impulso à produção que promete manter ou expandir o emprego, mas faz inimigos entre os importadores, turistas e o varejo que se vale da presença das marcas estrangeiras para recusar repasses de preços às gôndolas dos supermercados.


 


Agora é hora de esperar a fatura. “Há sempre uma disputa de interesses. Os efeitos da alta do dólar no consumo e qualquer repasse de preços vão depender da substituição dos estoques de importados no varejo e nas fábricas pelos pedidos acompanhando as novas cotações”, afirma Antônio Braz de Oliveira e Silva, analista do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em Minas. O dólar comercial oscilou bastante ontem, fechando o pregão com queda de 0,1%, cotado a R$ 1,999. Para o economista Frederico Pace, vice-presidente da Associação Comercial e Empresarial de Minas Gerais (AC Minas), o risco está num câmbio que deixou de ser flutuante para se tornar ascendente.


 


“Com a alta dos últimos dias, o dólar rompeu a margem de segurança estimada pelo mercado, que varia entre altas de 3% a 5% com oscilações de 2,5%”, afirma Pace. O perigo está no repasse de preços, insiste o economista. Quando o comércio passa a pagar mais caro, acaba transferindo a conta para o consumidor e alimenta a inflação.


 


Produção Cultural


 


Com artistas internacionais cotados em dólar, o mercado cultural sofre os impactos negativos da variação do câmbio. Quanto maior a valorização do dólar, mais caro se torna o cachê dos artistas e o preço dos ingressos. Nessa conta, segundo o gestor cultural Aluizer Malab, entram desde os pequenos shows até os artistas mais caros, com contratos acima de US$ 150 mil. Malab acredita que se o câmbio disparar o ritmo de shows pode reduzir no país, mas não o suficiente para tirar o Brasil do circuito internacional. “Acredito que o Brasil foi definitivamente inserido na rota internacional, porém os contratos são fechados com antecedência e a falta de previsão prejudica o mercado. Essa recente alta do dólar não estava prevista.”


 


Aviação


 


Para a aviação, um dos impactos diretos da alta do câmbio recai sobre o querosene, combustível utilizado pela aviação, que é importado. Segundo o analista da SLW Consultoria Pedro Galdi, em maior ou menor escala tanto as empresas que operam com rotas nacionais quanto aquelas que estão mais ligadas ao circuito internacional serão atingidas. Ele ressalta que a guerra de tarifas já pressionou os custos das companhias que tiveram de se reestuturar e fazer revisão no corpo de funcionários, por isso uma pressão do câmbio forçaria ajustes ainda maiores para fechar os custos. Na opinião do analista, a desvalorização do real atinge com mais vigor companhias que estão ligadas apenas ao mercado doméstico .


 


Consumidores


 


Quem não vai ficar de cara boa caso o câmbio dispare para além dos R$ 2 são os consumidores, que nos últimos anos se acostumaram a escolher entre os produtos que vêm de fora e aqueles fabricados no Brasil, dependendo do custo x benefício de cada um. A alta do dólar faz os preços dos importados subirem. “O comércio importa com valores mais altos o que faz retrair o poder de compra da população”, aponta Carlos Thadeu Gomes, chefe do departamento de economia da Confederação Nacional do Comércio (CNC). O câmbio impacta não só as compras internas, mas tende a deixar mais cara a viagens internacionais cotada em dólar, encarecendo também os pacotes de turismo nacional. “Com menos concorrência os preços no Brasil também ficam mais caros, por isso o ideal é que o dólar não dispare”, diz José Carlos Vieira diretor da Acta Turismo.


 


Importadores


 


O dólar valorizado encarece os produtos estrangeiros, contendo o avanço da participação deles no mercado brasileiro, mas esse movimento não ocorre de imediato. O efeito virá só depois que os estoques dos importados baixarem no comércio e as empresas fizerem novos pedidos com o dólar novo. Frederico Martini, diretor da Domus Importação, Exportação e Consultoria, lembra que mesmo com a alta, alguns itens sem similar nacional devem se manter competitivos. Outra opção para o fornecedor é repassar pelo menos parte do aumento da cotação da moeda aos preços, estratégia que tem limitações. “Para quem vai fechar contratos de importação agora ou futuramente, sem dúvida a alta do dólar será um prejuízo”, diz.


 


Eletroeletrônicos e setores importadores


 


Em tempos de dólar alto, o consumidor brasileiro já se acostumou a ver repasses aos preços dos custos das indústrias que dependem de componentes e peças estrangeiros ou insumos importados, a exemplo, dos fabricantes de eletroeletrônicos e de produtos químicos, como fertilizantes. Esse reflexo deverá começar a ser visto nas próximas semanas, depois de praticamente dois meses de valorização da moeda norte-americana. O analista do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) Antônio Braz de Oliveira e Silva diz que esse impacto depende não só dos estoques nas fábricas como também da capacidade delas de negociar com fornecedores e das pressões do varejo que resiste a aumentos de preços.


 


Supermercados e padarias


 


 


 


A participação dos produtos importados nos hipermercados e nas lojas especializadas vem aumentando desde a abertura do mercado brasileiro no começo dos anos 90. Em diferentes momentos da política econômica, a oferta dos itens estrangeiros tem levado a uma concorrência maior nas redes. Se esses bens encarecem, a competição pode ficar prejudicada, mas vai depender da reposição dos estoques e da capacidade de negociação com os fornecedores. Segmentos como a indústria da panificação sofrem mais porque usam insumos importados. O trigo é o principal componente, que o Brasil produz a um ritmo bem inferior à demanda. A briga no varejo de bebidas também será movimentada, com a presença já conhecida do consumidor de vinhos e uísques importados.


 


Agricultura


 


Como grande exportador de matérias-primas e commodities, o agronegócio brasileiro a princípio tem a ganhar com a alta do dólar. Isso porque os alimentos ganham valor com a desvalorização do real. No entanto, em um segundo momento o agronegócio terá que ajustar as contas para importar insumos agrícolas como fertilizantes que vão chegar mais caros na fazenda. Na opinião do vice-presidente da Associação Comercial de Minas Gerais (ACMinas) Frederico Pace, como cerca de 60% dos custos agrícolas tem composição nacional na balança o agronegócio em um primeiro momento pode ganhar com alta do câmbio. A alta do dólar também compensa a queda de preço das commodities alimentares.


 


Indústria Automobilística


 


A desvalorização do real deixa mais otimistas setores que enfrentam a pressão da concorrência dos importados como a indústria automobilística. Com a alta do dólar significa que os carros chineses vão chegar aqui mais caros, reduzindo a pressão da concorrência para a produção nacional. Mesmo com itens importados, as montadoras que fabricam aqui saem na frente diante dos importados. O peso para a indústria nacional fica por conta das peças que são importadas. Quanto mais alto o dólar se torna mais ele inibe as vendas de veículos importados que chegam ao Brasil também de mercados como os Estados Unidos e Europa. Além disso, as fábricas brasileiras ganham competitividade para exportar.


 


Indústrias têxtil, de vestuário e calçados


 


Segmentos que mais têm reclamado da concorrência com os importados, especialmente as marcas chinesas, eles ganham duas vezes. O dólar mais caro torna o produto nacional competitivo no exterior e anima essas indústrias a buscarem reconquistar nichos de mercado perdidos durante o longo tempo de valorização do real frente à moeda norte-americana. No Brasil, elas se tornam mais competitivas, com o encarecimento do produto estrangeiro. Michel Aburachid, presidente do Sindicato das Indústrias de Vestuário de Minas Gerais, observa que os importadores voltaram a consultar os preços do produto nacional, bom sinal para as fábricas.


 


Emprego


 


À medida que a indústria retoma a capacidade de competir no mercado internacional e no Brasil, a tendência é de que ela mantenha ou aumente os níveis da produção, cenário favorável ao emprego industrial, que foi afetado com o dólar em baixa. A defasagem cambial é um dos fatores apontados pelo setor como inibidor da geração de postos de trabalho. Na Grande Belo Horizonte, o emprego na indústria caiu 1,2% durante o ano passado e neste ano encerrou março com queda de 3% frente a fevereiro, segundo pesquisa da Fundação João Pinheiro, Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIeese) e a Secretaria de Estado do Trabalho.


 


 


Máquinas e equipamentos


 


Os fabricantes brasileiros já sentem algum alívio com a alta do dólar, que diminui as vantagens do produto importado no mercado nacional. Segundo a Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), desde o ano passado, de cada 10 máquinas vendidas no país, seis são importadas. Segundo Marcelo Luiz Moreira Veneroso, diretor regional da Abimaq em Minas Gerais, se o dólar continuar valorizado, o setor espera que a participação dos importados caia a no máximo 40%. “ O ideal é que ela se limite ao nível de 20% a 25%”, afirma. Na ponta das exportações, as empresas nacionais também tentarão recuperar mercados.


 


Alimentos e bebidas


 


O setor deverá agarrar a oportunidade do dólar alto para investir na retomada de espaço perdido para os importados em diversos segmentos como os de bebidas destiladas, massas e enlatados. Do outro lado da moeda, as indústrias ganham competitividade para disputar o comércio internacional, sobretudo num momento de aumento da demanda por alimentos no mundo. A valorização do dólar chega num período importante também pelo fato de as empresas esbarrarem nos efeitos da crise financeira na Europa, tradicional parceira do comércio do Brasil e de Minas Gerais com o exterior. As exportações prometem aumentar este ano, se o câmbio continuar se valorizando.


 



Fonte: MARINELA CASTRO. Estado de Minas
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